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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os seis mitos do trabalho formal


Muito se fala sobre o trabalho e sua contribuição social. Concordo em parte. Porém, algumas almas malevolentes tiram proveito destas representações sociais do trabalho e acabam por fazer dele um espaço de repulsão, afirmando mais ainda situações de vulnerabilidades uma vez que seduz o trabalhador com falsas promessas e o deixa a mercê de várias adversidades relacionadas à marginalização. Portanto, construindo um discurso paradoxal.



1- O trabalho dignifica o homem.
A dignidade é relativa no momento em que muitos trabalhadores buscam os sindicatos e as DRTs porque não aguentam mais o seu trabalho e querem rescindir o contrato de trabalho - coisa complicada. É digno receber pagamento para ser humilhado? É digno estar submetido à condições desumanas de trabalho, como os trabalhadores de nosso comércio? As empresas se aproveitam da inexperiência de jovens para tirar a seu ultimo suspiro de trabalho. Qual o resultado? Os jovens poderão estar sendo afastados do trabalho. Pra onde poderão ir?


2- Fulano é rico porque trabalhou muito.
Os sujeitos realmente ricos não são aqueles que trabalham. Em verdade, os que não trabalham são os que mais poderosos. Os que gastam suas últimas energias para manter-se no trabalham, eles nunca terão tempo para ficar rico. Perderão a maior parte do tempo trabalhando para enriquecer o patrão.


3- Vou trabalhar para crescer na empresa
Toda empresa, por mais budega que seja, tem um gerente, uma recepcionista ou atendente de telefone, um "Severino faz tudo" e o Patrão. Ambos estão numa escala vertical. Pra você subir na pirâmide você precisa "mostrar serviço". Este ato pode representar muitas vezes não seu esforço pessoal em fazer o trabalho direito - o que deveria ser acatado- mas o fato de se sobrepor aos outros pra se destacar. Vendedores são especialistas em "roubar a meta do colega".

4- Nunca vou contra meu chefe porque ele vai me ajudar lá na frente.
Pense bem. Se seu chefe com a proximidade que tem com você faz vista grossa pra lhe conceder qualquer melhoria.Quando ele ficar longe é que não fará nada mesmo. Não lhe dará mais que desprezo. Se está receoso com alguma perseguição e não tem a iniciativa de reagir esperando que o chefe contorne-a. Deixe de ser besta.

5- Quanto mais eu ficar próximo do patrão mais me darei bem
Esse são os lemas do chamados "puxas saco". Ficam de prontidão pra "cabuetar" todos da empresa e quando ele menos espera sua cabeça vira prêmio. No dia que o humor do empregador mudar, aquele relatório tão precioso não passa de fofoca. E o informante é demitido - paradoxalmente - por cumprir o pacto tácito de corrupção. Lembram o que acontece com os agentes duplos nos filmes de guerra?Acabam sendo mortos por um dos lados.


6- Meu patrão é meu amigo
Os que pensam não conhecem a essência das relações de trabalho. São interesses antagônicos. Seu patrão gosta do lucro gerado pelo seu trabalho, nunca de você. Não pense que ele vai sacrificar a troca do carro do ano por se dar um aumento, por mais que você esteja precisando.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Violência Isolada em Realengo?


O mais recente e comentado episódio da mídia foi o assassinato em série efetuado por um ex-aluno de 24 anos. Todavia, pouco se sabe a respeito das motivações do crime. A natureza da ação foi Absoluta insanidade? Circunstancial? Cultural? Social? Religiosa?
Não sou investigador de policia e tão pouco quero solucionar especificamente o fato. Entretanto, podemos nos negligenciar e fingir que tudo não passou de pesadelo? Não, é fato.
Tragédias como essas estão acontecendo pela primeira vez no Brasil muito embora seja um problema conhecido dos Estados Unidos, cuja a frequência de acontecidos como esse é maior. Então, estamos nos aproximando de ser uma potência em violência sem série? O fordismo dos yankees chegou a esse ponto?
Nossa realidade é muito diferente, sobretudo a do Rio de Janeiro. As desigualdades sociais geraram conflitos de natureza social e individuais quase irreversíveis.
Imagine você conviver em uma sociedade onde a vida é banalizada em confrontos em que todos são seus inimigos: Os traficantes são inimigos, as milícias são inimigos, o Estado é inimigo, os governantes são inimigos. À sociedade civil não resta mais nada a não ser o confinamento dos condomínios fechados, da segurança privada e dos carros à prova de balas. Como ficam os habitantes que não tem dinheiro pra pagar tudo isso? Como lhe dar financeiramente com todos esses custos, com toda a pressão, com toda a cobrança? Esse ambiente é realmente saudável para o desenvolvimento psíquico e social de uma pessoa?

No que se refere ao fato um desdobramento me chamou demasiada atenção:

Por que o regresso à escola para cometer todo esse "acerto de contas"?

A escola é um espaço de construção das identidade, descobertas e muitas vezes é o espaço com o qual o individuo cria um vinculo maior que o espaço da família. Um contexto familiar problemático faz da escola um oásis, cujo vinculo pode ter seu retorno positivo ou negativo. No nosso contexto, o espaço da família e da escola são coexistentes e harmônicos entre si e completamente relacionados. Ambos dialogam entre si. Quando uma criança é desratada na escola ela pode ter o seu comportamento na família alterado. E quando a família, a sociedade e o contexto não criam âncoras suficientes para suprir o mínimo de equilíbrio psíquico e social de modo a fomentar a violência, o desespero, o desafeto?
Podem acontecer tragédias como essas na escola.





terça-feira, 5 de abril de 2011

Minha rotina sem televisão

Relatos de uma mudança de hábito.

Recentemente mudei-me. O utensílio mais presente na residência dos brasileiros, a televisão acabou ficando de fora. A partir de então, acabei consolidando uma revolução na minha vida. Relatarei minha experiência a partir de dois momentos.

Ainda com a televisão

Trabalhava 8 horas por dia. Como morava longe chegava em casa perto das sete e meia da noite. Ao chegar, exausto, sentava no sofá, ligava o aparelho televisor e consumia recortes da programação, tanto local quanto nacional. Estava aparentemente descansando e relaxando. Entretanto, podia

estar relaxando o corpo, mas estava atrofiando meu músculo mais precioso: o cérebro. Assim, mesmo odiando a programação, sentia um magnetismo me prender aquele aparelho. Um programa levava ao outro, mal terminava um telejornal começava outra coisa que nada tinha a somar à minha experiência. Mas tido se apresentava instigante e parecia um verbo transitivo a pedir complemento. Quando enfim me sentia repousado, já era tarde da noite e precisava dormir pra alimentar o círculo vicioso do dia seguinte. Quando chegava o final de semana, toda minha rotina continuava orientada pela programação televisiva. Manhã: Seriado; Tarde: Filme; noite: Telejornal ou revista televisiva. Os programas que acompanhava não eram, em sua grande maioria, ruins, fúteis, deseducativos. Muito pelo contrário, assistia a filmes bons, entrevistas relevantes e documentários excelentes. Entretanto, minha agenda totalmente era escrava da programação.

A rotina sem a televisão

Ao me mudar, continuei trabalhando as 8 horas por dia. Chegava em casa um pouco mais cedo, cerca de 30 minutos antes de outrora. A princípio pensei como seria minha vida sem o tal aparelho. Pesquisei preços, placas para acoplar ao computador, mas resolvi me presentear com a experiência de viver sem a televisão. Desde então, ao chegar do trabalho, como não mais dispunha do televisor para o repouso laboril cotidiano iniciei uma nova fase em minha vida. De tão entediado, resgatei o hábito de ler, escrever, assistir a um filme clássico. E principalmente estudar. Passei a fazer coisas das quais fazia a conta gotas. Reservei também um bom tempo para conversar com minha esposa e falar sobre nossas experiências. Desde então passamos a nos relacionar melhor. Meu dia hoje parece ter 72 horas. Em um único rotacionar da terra consigo estudar satisfatoriamente, ler, escrever, ouvir podcasts, ler, assistir filme, jogar, acessar a internet dentre tantas outras coisas. Na medida em que meus hábitos mudaram, minha bagagem também mudou. O viajante se torna o que ele carrega na mala. As desvantagens de abrir mão completamente deste veículo, é correr o risco de ficar desinformado. Ficar à toa nas rodas de conversas relacionadas aos fatos recentes. Porém, ao meu singelo julgamento temos muito mais a ganhar do que a perder. Tanta informação absorvida torna seu raciocínio tão volátil como os grãos de arreia de terras estranhas soltos ao vento. Agora, se usa do teu barro para construir, tal procedência consolidará um castelo uma vez que conheces o material e fará um bom arranjo.


Esses dias fiz um balanço da experiência. E cheguei a conclusão que o mais importante é ter controle sob suas escolhas e selecionar as informações na medida em que se precisa. Construir a informação, não deixar que ela lhe construa. Agora faço determinada tarefa quando me sinto preparado, motivado, instigado. Tenho tentado ser cada vez mais autotrófito. Depois de quase duas dezenas de anos de pura fagocitose visual, será que estou desintoxicado?


Fonte imagem 1: www.cartapotiguar.com.br
Fonte imagem 2: www.fariaconversas.blogspot.com