sexta-feira, 15 de abril de 2011
Os seis mitos do trabalho formal
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Violência Isolada em Realengo?

terça-feira, 5 de abril de 2011
Minha rotina sem televisão
Relatos de uma mudança de hábito.
Recentemente mudei-me. O utensílio mais presente na residência dos brasileiros, a televisão acabou ficando de fora. A partir de então, acabei consolidando uma revolução na minha vida. Relatarei minha experiência a partir de dois momentos.
Trabalhava 8 horas por dia. Como morava longe chegava em casa perto das sete e meia da noite. Ao chegar, exausto, sentava no sofá, ligava o aparelho televisor e consumia recortes da programação, tanto local quanto nacional. Estava aparentemente descansando e relaxando. Entretanto, podia
estar relaxando o corpo, mas estava atrofiando meu músculo mais precioso: o cérebro. Assim, mesmo odiando a programação, sentia um magnetismo me prender aquele aparelho. Um programa levava ao outro, mal terminava um telejornal começava outra coisa que nada tinha a somar à minha experiência. Mas tido se apresentava instigante e parecia um verbo transitivo a pedir complemento. Quando enfim me sentia repousado, já era tarde da noite e precisava dormir pra alimentar o círculo vicioso do dia seguinte. Quando chegava o final de semana, toda minha rotina continuava orientada pela programação televisiva. Manhã: Seriado; Tarde: Filme; noite: Telejornal ou revista televisiva. Os programas que acompanhava não eram, em sua grande maioria, ruins, fúteis, deseducativos. Muito pelo contrário, assistia a filmes bons, entrevistas relevantes e documentários excelentes. Entretanto, minha agenda totalmente era escrava da programação.

A rotina sem a televisão
Ao me mudar, continuei trabalhando as 8 horas por dia. Chegava em casa um pouco mais cedo, cerca de 30 minutos antes de outrora. A princípio pensei como seria minha vida sem o tal aparelho. Pesquisei preços, placas para acoplar ao computador, mas resolvi me presentear com a experiência de viver sem a televisão. Desde então, ao chegar do trabalho, como não mais dispunha do televisor para o repouso laboril cotidiano iniciei uma nova fase em minha vida. De tão entediado, resgatei o hábito de ler, escrever, assistir a um filme clássico. E principalmente estudar. Passei a fazer coisas das quais fazia a conta gotas. Reservei também um bom tempo para conversar com minha esposa e falar sobre nossas experiências. Desde então passamos a nos relacionar melhor. Meu dia hoje parece ter 72 horas. Em um único rotacionar da terra consigo estudar satisfatoriamente, ler, escrever, ouvir podcasts, ler, assistir filme, jogar, acessar a internet dentre tantas outras coisas. Na medida em que meus hábitos mudaram, minha bagagem também mudou. O viajante se torna o que ele carrega na mala. As desvantagens de abrir mão completamente deste veículo, é correr o risco de ficar desinformado. Ficar à toa nas rodas de conversas relacionadas aos fatos recentes. Porém, ao meu singelo julgamento temos muito mais a ganhar do que a perder. Tanta informação absorvida torna seu raciocínio tão volátil como os grãos de arreia de terras estranhas soltos ao vento. Agora, se usa do teu barro para construir, tal procedência consolidará um castelo uma vez que conheces o material e fará um bom arranjo.
Esses dias fiz um balanço da experiência. E cheguei a conclusão que o mais importante é ter controle sob suas escolhas e selecionar as informações na medida em que se precisa. Construir a informação, não deixar que ela lhe construa. Agora faço determinada tarefa quando me sinto preparado, motivado, instigado. Tenho tentado ser cada vez mais autotrófito. Depois de quase duas dezenas de anos de pura fagocitose visual, será que estou desintoxicado?
Fonte imagem 1: www.cartapotiguar.com.br
Fonte imagem 2: www.fariaconversas.blogspot.com
