Por Roniel Sampaio Silva, sociólogo. Foi-se o tempo da cidade do respeito e do silêncio. As onomatopeias urbanas tranquilas de outrora foram completamente sufocadas pelos estrondos horrendos de motocicletas desvairadas. Nos últimos anos este meio de transporte tomou conta da paisagem teresinense e tantas outras cidades brasileiras devido à facilidade de crédito, aumento do poder aquisitivo dos brasileiros, bem como é reflexo do abandono gradual do transporte público coletivo pelos teresinenses.
Em particular nota-se que o acesso ao bem de consumo trouxe consigo ostentação e competição. Os automóveis têm aumentado também vertiginosamente. Junto com a necessidade material do transporte catalisa-se a necessidade social de ostentar do veículo como meio de angariar status social. Por outro lado, se nas motocicletas não há tantas formas de sofisticar adereços quantos nos automóveis a maneira encontrada por alguns motoqueiros teresinenses foi “envenenar” os motores de modo a criar impressão de potência monstruosa cujo significado talvez remeta a poder, potência, ostentação. Mas afinal, o que pensam eles de fato sobre o barulho? Nunca perceberam que tamanha falta de bom senso gera transtorno tanto para si quanto para o resto da cidade? Existem tantas outras formas de chamar atenção, porque escolher a que mais incomoda e a que mais faz mal a saúde? Seria isto uma forma de mostrarem-se poderosos ou vistos para serem respeitados pelos demais motoristas?
O fato, porém, não circunda em torno da restrição ou proibição do meio de transporte. Nem todos os motociclistas são imprudentes. Há também os motoristas imprudentes que não respeitam motociclistas e vice-versa. Minha preocupação imediata é quanto à tendência de instauração do desrespeito, da intolerância em favor do estrondo hedonista, cujos efeitos – como se não bastasse causar sérios danos a saúdes deles próprios - causam prejuízos sérios à saúde em geral: danos à audição, desatenção no transito, insônia, podendo chegar à surdez, distúrbios físicos e psicológicos.
Considerando o volume de prontuários de traumas no HUT cada vez mais será preciso investir na reabilitação dos acidentados. Acidentes envolvendo motocicletas hoje talvez sejam um dos nossos maiores problemas de saúde pública. Por que não criar estratégias educativas para combater a poluição sonora no trânsito? A liberdade demasiada de explodir os motores para o bel prazer em detrimento do respeito ao próximo não incentiva a imprudência?
A médio e longo prazo, penso que as autoridades de trânsito devam investir um pouco de seus recursos para esta parcela barulhenta. A curto prazo, pedimos encarecidamente para as autoridade de transito, municipal, estadual e federal que façam valer a súplica por atenção destes motociclistas vociferantes e lhe enviem o reconhecimento em forma de multa, observando a Lei municipal nº 3.508; o Código de Transito Brasileiro em seu Art. 229 e o art. 42 do Decreto-lei 3.688/41.
