Sociólogo
Acompanhamos a recente e precoce tentativa da Assembleia Legislativa de impor um novo tributo sobre compras efetuadas na web. A medida, materializada pela pela Lei de nº 6.041/2010, é sustentada pelo argumento de que a iniciativa proporcionará “redução das desigualdades regionais, já que praticamente todos os recursos oriundos de impostos sobre compras via internet ficam nas regiões Sudeste e Sul”. Sabemos que as diferenças regionais desse país em sua grande monta são oriundas da forma pela qual cada estado é colocado dentro do sistema produtivo. com efeito, essas desigualdades são perpetradas historicamente. Dentre os estados brasileiros alguns são mais articulados que outros no que diz respeito à iniciativas, capacitação técnica e incentivos governamentais; o que é caso dos estados onde estão concentradas a maior parte das lojas virtuais da web.De longa data houve nesses estados fomentações graduais da iniciativa empreendedora dos seus habitantes. Coisa que nosso estado deixa desejar. Os impostos exorbitantes não nos colocarão em pé de competição com os estados do centro sul do Brasil. Tal tarifação, porém, revela tacitamente a incompetência do estado do Piauí de criar mecanismos para que o comércio local seja mais atrativo. Ao que camufladamente parece ser um rompimento da dependência de outros estados acaba por ser uma alimentação dessa subordinação como bem destacou na década de 1960 os teóricos da teoria da teoria da dependência: O desenvolvimento dos países periféricos (no nosso caso, os estados brasileiros) se limita ao desenvolvimento tecnológico dos países de centro, uma vez que boa parte das tecnologias que impulsionam a economia são oriundas dos países desenvolvidos. Instaura-se uma relação de dependência em relação esses países limitando o subdesenvolvimento ao desenvolvimento. Desse modo, a realidade piauiense está rumando para esse sentido através de ações que tendem a “isolar” tecnologicamente a aquisição de bens oriundos de compras virtuais, cuja grande maioria são suprimentos de informática.
Para além das discussões jurídicas sobre a Lei, sobre sua constitucionalidade, devemos nos atentar ao fato de ao tempo em que consumidor está sendo penalizado e duplamente tarifado toda sociedade está perdendo oportunidade de acompanhar as grandes tendências tecnológicas. Nesse sentido, a implantação do novo imposto não fará com que o comercio local se fortaleza, só os deixará mais acomodados. Reparo que como consumidor, o impulso nas compras da internet fizeram com que as lojas de suprimentos de informática buscassem fornecedores mais competitivos,condições de pagamento, atendimento ou preço.
Como cidadão não gostariam que as fatos se apresentassem em detrimento das demagogias. Por que nossos parlamentares não falam abertamente que a proposta de lei é uma forma de aumentar a arrecadação tributária do estado?Por que pouco se tem feito para enxugar com despesas decorrentes de privilégios, dos excessos de cargos comício-nados e os altos salários do gestores?Por que nunca temos uma prestação de contas realmente transparente e detalhada?Todos estes questionamentos apontam para as reais intenções da criação do tributo.
Terceiros ganham em tributos, nós perdemos em conhecimento
Outro importante fator a considerar é a a contravenção teimosa que propõe o Estado do Piaui. Enquanto o próprio governo federal tem buscado reduzir os impostos de importações de bens essenciais para o desenvolvimento tecnológico do pais. A atual gestão de nossos governantes tem buscado o caminho oposto. A aquisição de bens relacionados a informática é essencial para o desenvolvimento das tecnologias informacionais do nosso estado. Jamais teremos empreendedores de lojas virtuais no Piauí se aos piauienses forem colocadas barreiras tributárias para aquisição de bens vitais para o desenvolvimento. na contramão das barreiras, é louvável um estado como o nosso está tentando acompanhar as grandes tendências nacionais e internacionais dos negócios movimentados pela internet, como é o caso de uma dúzia de empreendedores do mercado virtual que já concorrem entre si com sites de compras coletivas no estado. Nossa juventude tem usado muito rede mundial de computadores para aquisição de bens que lhes alavancarão profissionalmente e certamente esse crescimento trará resultados tanto para a qualificação de nossa mão de obra quanto para a multiplicação de empreendedores.
A solução para o problema aponta para o incentivo do micro empresário e diminuição das barreiras tributárias, facilitando a mobilização e o surgimento de iniciativas que possa ser multiplicadas no estado, tais como as já citadas ações de web empreendedores de sites de compras coletivas.


